segunda-feira, 15 de março de 2010

Capítulo II

O aeroporto estava mais cheio do que nunca,meu pai estava com aquele sorriso no rosto, era estranho o fato de viajar com pessoas que eu nunca vi na vida, mas talvez o pirralho do filho do sócio do meu pai possa me trazer algum tipo de diversão, as vezes crianças são bem simpáticas.

Meu pai se direcionou ao local onde fazem check-in, minha mãe o acompanhou enquanto eu fui comprar algo para beber, não havia tomado café antes de sair e estava morta de fome.

Milk shake cairia muito bem antes de uma viagem!

Ajeitei-me antes de ir para o portão de embarque, ao virar-me acabei trombando com alguém que estava bem atrás de mim, e pior ainda, derramando parte do milk shake de chocolate na minha roupa. Respirei fundo antes de ter um ataque de nervos. O menino me olhava com uma cara de nada, como se ele não tivesse acabado de estranhar minha roupa novinha.

_Viu o que você acabou de fazer? – eu gritei com o magrelo na minha frente.

_ Eu? – ele me fitou incrédulo, abrindo logo em seguida um sorriso de lado, muito cínico, por sinal. _ Foi você quem se sentiu a bailarina e saiu rodopiando daqui. Agora me dê licença que eu tenho que pegar algo para comer, estou morto de fome.

Eu fiquei parada alguns minutos, tentando acreditar no que estava acontecendo. Eu ia mesmo ter que viajar com essa roupa toda melada?

Merda!

Ele pediu alguma coisa e ficou esperando entregar. Bufei algumas vezes, e fui ao portão de embarque, finalmente!

Enquanto caminhava senti que tinha alguém ‘atrás’ de mim, me virei e lá estava o menino infeliz, me seguindo.

_ Vai ficar me seguindo agora? Não basta estragar minha roupa toda? – eu o fitava com as mãos na cintura.

_ Sonha! – ele pousou uma mão em meu queixo e deu uma sacudida, voltando a caminhar em direção ao portão de embarque.

Esse menino tava conseguindo me tirar do sério.

De longe eu já podia ver meu pai e minha mãe conversando com um casal que eu não conhecia. Devem ser o sócio dele e sua esposa.

O homem era alto e os poucos cabelos que tinha na cabeça, eram de um preto fosco, ele olhou em minha direção e sorriu. A mulher era magra, e tinha longos cabelos castanho-avermelhado. Tinha uma elegância em todos seus gestos, feito mamãe. Ela também sorria em minha direção.

Todos os quatro estavam parados, calados e me fitando. Estava começando a ficar tímida, até notar que eles não me fitavam, mas fitavam o menino que estava na minha frente, o infeliz que me derrubou milk shake, ele se aproximou do homem alto e sorriu para os meus pais, subitamente, os cinco me olharam, o menino tinha um ar zombeteiro no olhar. Aquilo me deixou mais irritada que antes, me aproximei, e papai me apresentou para o casal.

Esperamos alguns minutos e logo o vôo decolou.

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